Maratona Cultural de Florianópolis 2026 ocupa a ilha com diversidade, encontros e arte
09 Abr 2026


A Maratona Cultural de Florianópolis transforma a capital catarinense em um grande circuito de cultura. Espalhada por mais de 100 espaços da Ilha, a maratona faz com que o centro ganhe novos fluxos, os bairros se conectem por meio da arte e a cidade seja ocupada por encontros improváveis.
São shows, exposições, tours, cinema, teatro, manifestações populares e programação infantil. Mais do que reunir atrações, a Maratona propõe outra forma de viver Floripa: com mais presença, curiosidade e movimento.

Público acompanha programação da Maratona Cultural de Florianópolis no centro da cidade
Em entrevista ao blog da Saia, a presidente do Instituto Maratona Cultural, Paula Borges, resumiu o evento em uma palavra: realização.
A escolha diz muito sobre a história e o propósito da iniciativa. Segundo Paula, a Maratona nasceu da percepção de uma lacuna importante na cena cultural local. Ao sair da universidade, ela observava a quantidade de artistas que se formavam e sentia falta de espaços capazes de dar visibilidade a essa produção.
Foi desse incômodo e desse desejo de encontro que o projeto começou a tomar forma. Mais do que criar um festival, a proposta sempre esteve ligada à ideia de conectar pessoas, artistas, linguagens e públicos diferentes. E isso continua sendo um dos pilares centrais da Maratona até hoje.
Nesta 12ª edição, a Maratona Cultural esteve em cerca de 20 bairros de Florianópolis, descentralizando a programação e espalhando experiências para além do circuito mais óbvio da cidade.
Essa expansão reforça uma das características mais importantes do evento: a capacidade de fazer a cultura circular por diferentes regiões da capital, criando novas relações entre público e território.
Paula também destaca o desejo de ampliar ainda mais essa presença, especialmente no Norte da Ilha, levando a programação para novos espaços e fortalecendo o diálogo com outras áreas da cidade.
Na prática, essa ocupação se traduz em uma Florianópolis mais viva. Ao longo da cobertura, foi possível perceber isso no movimento entre espaços culturais, na ocupação de ruas e praças e na sensação de que a cidade, por alguns dias, se torna mais aberta ao encontro.

Público animado em show durante a Maratona Cultural de Florianópolis 2026
Esse fluxo também foi favorecido por ações que facilitaram o acesso do público à programação. Entre elas, a antecipação do Domingo na Faixa, iniciativa da Prefeitura de Florianópolis que garantiu transporte público gratuito ao longo de todo o domingo, 22 de março, ampliando a circulação entre diferentes regiões da capital e reforçando o caráter acessível do festival.
Segundo Paula Borges, o público do evento é formado por uma combinação muito particular de perfis: turistas, estudantes, famílias, universitários, crianças, pessoas de diferentes idades, formações e repertórios culturais. Essa mistura, segundo ela, é justamente o que torna o evento tão rico.
A diversidade aparece tanto em quem frequenta quanto no que é apresentado. E isso ajuda a explicar por que a Maratona consegue reunir, em uma mesma edição, públicos tão diferentes sem parecer fragmentada.
“A gente tenta ser o mais diverso possível”, destaca Paula Borges ao falar sobre o perfil do público e a construção da programação.

Show de Maria Beraldo lotou o Palco Centro Leste na primeira noite da Maratona Cultural
Há quem chegue pelo grande show. Há quem vá atrás de uma exposição. Há quem descubra um tour cultural por acaso. Há quem encontre um artista local pela primeira vez. E há quem simplesmente caminhe pela cidade e se surpreenda com algo inesperado.
Um dos aspectos mais interessantes da Maratona segue sendo sua capacidade de criar espaço para o que nem sempre ocupa o centro da atenção: artistas locais, produções independentes, iniciativas comunitárias, manifestações populares e linguagens que muitas vezes circulam fora do radar mais comercial.
Esse equilíbrio entre nomes de grande alcance e a valorização da cena local ajuda a construir uma programação que não se limita ao entretenimento. Ela também funciona como plataforma de visibilidade, circulação e reconhecimento para quem produz cultura na cidade e em Santa Catarina.
Ao longo da cobertura, uma das coisas mais interessantes foi perceber como a Maratona se espalhou por linguagens, espaços e públicos muito diferentes. Em vez de concentrar tudo em grandes palcos, a programação ocupou ruas, museus, escadarias, centros culturais e pontos históricos de Florianópolis.
Na Escadaria do Rosário, por exemplo, a programação reuniu projeções, intervenções visuais, música e cinema, reforçando a vocação do centro como um dos corações simbólicos da Maratona.
A cultura popular também teve presença forte nesta edição. O Boi de Mamão, acompanhado em diferentes momentos da programação, apareceu como uma das expressões mais vivas da identidade catarinense dentro do festival. O mesmo vale para ações como a presença das Rendeiras Cantadeiras, a Procissão do Senhor dos Passos (que acontece há 260 anos na ilha), a Iúna: Orquestra de Berimbaus de Mulheres e outras atividades que aproximaram o público de tradições, memórias e manifestações ligadas à história cultural da cidade.
Outro ponto forte da cobertura foi a convivência entre propostas mais experimentais, urbanas e contemporâneas. A equipe também acompanhou ações como a pintura mural de Tuane Ferreira, a oficina de graffiti, exposições como Sistemas para Pensar o Sistema e Gestos mínimos para se começar uma guerra, além de programações que ampliaram o olhar sobre arte, imagem e cidade.
Na música, essa pluralidade apareceu com bastante força. Entre os momentos acompanhados estiveram desde atrações de maior alcance até shows e apresentações que reforçam a potência da cena independente e da circulação cultural. Foi o caso da presença de nomes como Marisa Monte, Joelma e Adriana Partimpim, mas também de experiências mais próximas e pulsantes, como os shows de Maria Beraldo, Outros Bárbaros convida Donatinho, Cadê Sanfona e Jazz na Feira, entre muitos outros espetáculos.
A cobertura também passou por espaços de memória e patrimônio, como as atividades no Museu de Florianópolis, no Arquivo Histórico e nas exposições do Museu Histórico de Santa Catarina, mostrando que a Maratona não se limita ao entretenimento. Ao circular entre música, arte urbana, cultura popular, exposições, oficinas, tours e experiências ligadas à história da cidade, o festival revelou uma de suas maiores qualidades: a capacidade de fazer Florianópolis ser vivida de forma mais ampla, curiosa e conectada com a própria identidade.
Além da força simbólica e cultural da programação, a Maratona Cultural de Florianópolis 2026 também se refletiu em números expressivos.
Segundo dados da organização, o evento reuniu mais de 200 mil pessoas ao longo da edição, confirmando mais uma vez sua dimensão como um dos principais acontecimentos culturais da capital catarinense. Entre os destaques de público, a organização estima que os shows de Joelma e Marisa Monte tenham reunido cerca de 30 mil e 40 mil pessoas, respectivamente.
O impacto também apareceu na economia da cidade. De acordo com os cálculos apresentados pela organização, com base em estudos da FGV, a edição de 2026 gerou um retorno estimado de R$ 34,9 milhões para o município, a partir de uma relação de R$ 7,59 movimentados para cada R$ 1 investido.
Mais do que reforçar a potência artística da Maratona, os números ajudam a dimensionar seu papel na vida urbana da cidade, movimentando não apenas a cena cultural, mas também o turismo, o comércio, os serviços e a circulação de pessoas por diferentes regiões de Florianópolis.
A Maratona Cultural cria uma forma particular de viver Florianópolis. Ao ocupar ruas, praças, museus, escadarias, bairros e espaços históricos, o festival convida o público a olhar a cidade para além da paisagem, do cartão-postal e da rotina automática.
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